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Test Revista Áudio&Vídeo
 

15/01/2009

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Amplificador Integrado Híbrido Murano

TEST realizado por: Víctor A. Mirol 
DIRETOR REVISTA AUDIO&VIDEO  Brasil
v.mirol@uol.com.br
vmirol@clubedoaudio.com.br

 

O integrado de que nos ocupamos hoje é, na definição do seu criador – Fernando Chao –, um produto sul-americano. Com efeito, parte dos componentes são fabricados no Brasil (condensadores Epcos da Siemens que nada têm a invejar aos BlackGate nem aos Auricap, transformadores toroidais de alimentação Toroid, relés e placas de circuitos), alguns vêm do Uruguai (manufatura com madeiras, chassis feitos em aço inoxidável mediante CNC, partes em alumínio e aço cromado, além de todo o desenho e entalhes). As partes como válvulas, semicondutores e conectores provêem dos EUA, do Japão e de outros lugares da Ásia. Ao todo, resulta que 80% provêm da região Sul da América (Brasil e Uruguai) e 20% de fora dela.

A apresentação do Murano é extraordinariamente cuidada e de grande valor estético
.
Os 
lados são de madeira laqueada (Roble e Haya ou outras a pedido) realizados à mão com acabamento com lacas italianas Milesi. O desenho da caixa foi realizado por Christian Píriz.
Na parte superior, sobre o aço inox emoldurado pela madeira, estão visíveis o par de válvulas 6SN7-GT (NOS1 dos anos 1960 e 70) e a cobertura do transformador toroidal.
Atrás deste, estão os quatro conectores de saída para cabos de falantes tipo WBT de excelente qualidade, que permitem a conexão de
spades ou bananas. Também vemos uma placa dourada com a marca Pastoral.

Na parte traseira, vemos a entrada BNC de alimentação e as conexões RCA de entrada (três pares) e saída (para gravação ou simples saídas de linha), todas em conectores de muito boa qualidade banhados em ouro com dielétrico de Teflon.

Na frente, encontramos três chaves rotatórias. À esquerda, a chave de liga-desliga. À direita, a chave seletora de entradas. No meio, um grande botão que comanda o potenciômetro NOBLE de volume.

Todo o chassis está suportado por quatro pés com bolas de aço-tungstênio com base de cortiça. Por ser um integrado, possui uma etapa pré-amplificadora que utiliza dois duplos triodo 6SN7-GTB, preferidas pelo desenhista às clássicas 12AXT e 12AU7 ou, até, à 6DJ8 (6922), cujos filamentos são alimentados por corrente contínua regulada, para assegurar muito baixo ruído. Essas válvulas seguem a configuração ‘SRPP’, preconizada por Jean Hiraga em
L’Audiophile (que facilita a adequação da alta impedância de saída das válvulas com a baixa de entrada dos circuitos de estado sólido) e sua reposição está assegurada pelo fato de serem atualmente fabricadas na Rússia, na União Européia e na China. Essa etapa permite uma sensibilidade de 850 mV para potência nominal.

O seletor de entradas aciona relés comutadores. A etapa de saída utiliza (veja isso!) circuitos  peracionais – e, como veremos, parece ser certo nesse caso –, pois garantem menor distorção e maior transparência do que os componentes discretos.
Sua potência é de 35 W com carga de 8 Ohms (pode trabalhar em até 4 Ohms, menos do que isso é desaconselhado).

1 NOS (New Old Stock, ou stock de antigas sem uso): termo que define – no caso das válvulas – unidades que nunca foram usadas e ficaram em stock desde a data de fabricação – que pode ser de décadas atrás – até o momento da venda atual.

Teste – Amplificador Integrado Híbrido Murano

A alimentação, objeto de cuidadoso desenho, foi construída em torno de um transformador toroidal de grande capacidade e incorpora um retardo de tempo que permite a estabilização dos circuitos antes de ligar o amplificador às caixas, o que evita eventuais problemas criados pelas grandes diferenças de tensão de alimentação entre os circuitos valvulados e os de estado sólido de saída. O único elemento da fonte compartilhado pelos dois canais é o transformador, já que todos os outros componentes são separados. Existe uma saída para gravação e, opcionalmente, o integrado pode vir com saída para subwoofer ativo.
O exemplar que nos chegou às mãos estava já amaciado. Mesmo
assim, o submetemos a 100 horas de burn-in com carga fantasma resistiva.
O amplificador chegou exatamente no momento certo para um teste de desafio, já que as minhas novas caixas Dynaudio Sapphire estavam já bem amaciadas (mais de 350 horas) e eu já habituado com sua sonoridade. Também as Krell Resolution 3 e as Dynaudio 25 Anniversary foram outro teste, já que nenhuma delas é de alta eficiência (em torno de 88 dB) e todas possuem divisores de freqüência de várias vias.
Os cabos utilizados foram Purist Elementary Advance, Kimber 8TC e Black Rhodium Ninja. Utilizamos tanto o Sony XA-9000ES e o dCS p8i como o – também novo, já bem amaciado – dCS Puccini ligados ao McIntosh MC200 e ao Audiopax Model 5 com cabos Black Rhodium Oratorio.
Desde o início, o Murano mostrou sua inequívoca categoria refinada na sonoridade. Já no primeiro disco ouvido, o So Real, observamos o que seria a marca registrada desse amplificador: a magnífica transparência do palco sonoro, o foco perfeito e os transientes de primeira ordem aliados a um magnífico retrato da voz humana graças ao magnífico timbre de seus médios.
Na faixa 3 percebemos perfeitamente a forma como o percussionista toca os primeiros compassos e o momento em que entra o baixo, bem colocados cada um no seu espaço e ouvindo claramente todas as sutis diferencias no toque do ximbal e da caixa, assim como as variações dinâmicas e o trabalho dos dedos do contrabaixista.
Testamos o cabo de força Tranparente Audio PowerLink MM alimentando o Puccini com imediato resultado em termos de claridade de palco, imagem e silêncio. Após alguns testes, escolhemos a configuração Puccini, Tranparent PowerLink MM, Black Rhodium Polar Oratorio, McIntosh MC200, Sunrise Illusion, ou depois, Audiopax Model 5 e, finalmente, direto ao Murano, Worldwire Polaris, Murano, Sunrise Mainslink, Ninja, Sapphire.
As Sapphire estavam a 3 m uma da outra e de mim, com
toe-in de 10-15 graus. Ouvindo o CD Telarc SACD Sampler 3 percebi, com surpresa, um palco sonoro muito parecido ao obtido com os McIntosh, com tudo em escala um pouco menor, mas com qualidade similar. Imagens focadas, com corpo harmônico correto com ar da ambiência e extensão e harmônicos corretos e extensos com transientes também corretos. Os picos de exigência dinâmica maiores criaram, naturalmente, sinais de alguma restrição do palco. Nada que uma leve limitação do volume não resolvesse. Querendo testar a extensão em graves e a capacidade dinâmica, fui para a faixa 4 (Papa was a Rolling Stone).
Os baixos, com exceção de um leve predomínio da segunda harmônica, eram, sim, profundos e com bom controle e perfeito equilíbrio com o resto da instrumentação. A essa altura, decidi experimentar com a saída direta do Puccini (ao fim, o Murano é um integrado) e, usando o Black Rhodium Polar Oratorio obtive uma combinação ideal, com aumento de nitidez dos transientes, foco e organicidade. O ar aumentou, com claro benefício do palco sonoro. Como veremos em próximo review dos Black Rhodium, esses cabos  ão capazes de grande velocidade, transientes perfeitos e suave decaimento, de grande extensão nos extremos e
claridade do palco. O Murano permitiu perceber essas características rapidamente e que pudéssemos nos beneficiar delas.
 

Teste – Amplificador Integrado Híbrido Murano

O preço que, às vezes, os Black Rhodium cobram, em termos de menor corpo harmônico e leve tendência para enfatizar o extremo alto não foi tão evidente.
Para apreciar sua correção de fase, utilizamos as faixas de teste LEDR que estão no disco de teste II da CAVI e obtivemos um resultado muito similar ao dos McIntosh MC501.
O palco sonoro é extenso com muito boas imagens centrais e adequada profundidade, apesar de o fundo ser levemente plano.
Em Marcus Miller ouvimos um palco sonoro que excede as caixas e se expande pelos lados da sala. Também ouvimos os sobretons muito breves e agudos das chaves do sax que os Black Rhodium permitem perceber quando o resto do sistema comporta essa velocidade de transientes.
A voz humana é muito bem retratada e com muita organicidade,
como vemos em Diane Shuur, assim como o timbre das trompas na introdução da faixa 5. Em Christine Duncan observamos – além do magnífico timbre da voz – um recorte muito preciso, embora o decaimento nas notas instrumentais seja um pouco mais curto em comparação ao McIntosh MC501.
O corpo harmônico de vozes e instrumentos é bem dimensionado, como vemos em Mike Stern e no grupo de cordas tocando Villa Lobos e em Light my Fire cantado por Patricia Barber. Joe Williams é retratado com o adequado calor e sonoridade cheia que fazem a uma sensação de realidade cativante, sem cair em absoluto na sonoridade ‘quente’ ou pesada nos médios baixos que, pelo contrário, são claros e sem exageros.

A dinâmica é suficiente no macro, como percebemos ao ouvir com as Sapphire num nível similar de volume sonoro ao que uso habitualmente, embora se note alguma compressão incipiente nas passagens mais enérgicas, como em Zappa.
A microdinâmica é, não obstante, de excelente nível.
A textura instrumental é excelente, levemente menos satisfatória – no limite – é a percepção da instrumentação quando muito complexa.
Uma qualidade do Murano é a capacidade de se mostrar orgânico quando necessário, como na audição do belíssimo novo CD do grupo De Puro Guapos (
Com Toda a Corda), gravado e masterizado por Homero Lotito e recémlançado pela LUA. A sonoridade de um quinteto de cordas com seção rítmica de piano e  ontrabaixo, acentos de clarinete e condução e integração sonora de bandoneón numa série de tangos clássicos executando arranjos
complexos é uma boa prova para componentes de áudio. O Pastoral saiu-se muito bem, tocando na mesma sala de referência de minha casa, onde foram realizados e gravados inúmeros ensaios do grupo prévios à gravação do CD, em especial no quesito timbre, organicidade e textura.
Prova de fogo aprovada! Mostrou que, sem ser excessivamente sensível a cabos, beneficiou-se com a combinação Black Rhodium Oratorio de interconexão e Purist Elementary Advance nas caixas.
Porém, isso dependerá da fonte e das caixas utilizadas, 
finalmente. Van den Hul The Second e Black Rhodium Ninja foram, também, uma boa combinação.

O Murano é uma peça única de design clássico e, ao mesmo tempo, moderna, tanto na concepção eletrônica como no material utilizado. Seu visual é impecável e fácil de combinar no ambiente.
De potência um pouco limitada para os padrões habituais, é capaz de tocar caixas
de sensibilidade média com garbo, desde que se tome o cuidado de não carregá-lo com impedâncias abaixo de 4 Ohms. Sua sonoridade poderá fazer a delícia de qualquer mitômano ou audiófilo, em especial se utilizado com caixas sensíveis ou em ambientes não muito grandes. Seus pontos fortes são o equilíbrio tonal, o palco sonoro e a qualidade tímbrica. Por ser um integrado, seu custo-benefício é alto. Beleza visual e musical, deve ser considerado nas opções de compra de qualquer amante da música. Boas Músicas!

Discografia: CDs Estéreo:

Todos os discos da metodologia da revista (mencionados no site) e mais: Com a Corda Toda (De Puro Guapos), LUA 255 (CD comercial e master convertida de 24/192 a 24/96)

Teste – Amplificador Integrado Híbrido Murano

MURANO

EQUÍLIBRIO TONAL 8,7
S
OUND STAGE 8,9
T
EXTURA 8,8
T
RANSIENTES 8,9
D
INÂMICA 8,3
C
ORPO HARMÔNICO 9,0
O
RGANICIDADE 8,9
M
USICALIDADE 9,4

TOTAL 70,9
P
ONTUAÇÃO MÁXIMA, EQUIPAMENTO
CATEGORIA
OURO: 72

Importador: Bach/Buenos Aires Craft Hi-End
Revendedor no Brasil: Sunrise Lab (11) 5594-8172
Preço Médio: US$ 4.800
Características técnicas:
Potência: 2 x 35 W RMS em 8 Ohms.
Conectores spade e banana.
Pré-amplificador: 2 x 6SN7-GT (‘NOS’ GE USA)
Entradas: três, estéreo (RCA) com conectores
banhados a ouro, comandadas por relés.
Saídas: estéreo de linha; subwoofer (opcional)
Relação sinal/ruído: 95 dB
Resposta: 10 - 70.000 Hz, ± 1 dB
Controles: power (com retardo de um minuto), seletor das três entradas, volume (potenciômetro ‘Noble’)
Fonte de alimentação com transformador
toroidal ‘Toroid’, 220/110 VAC
Apoios anti-vibratórios.

ESPECIFICAÇÕES TÉCNICAS

Opus 3 Test Record 4, Test CD 4 (CS-SACD) Joe Williams, Noti’n but the Blues, Delos (CD) Tango, Bibi Ferreira e Miguel Proença, Biscoito Fino, BF 626 (CD) Belafonte at Carnegie Hall, LSOCD 5005 (CD) The Weavers at Carnegie Hall, Analogue Productions APF 005 (LP) – APFCD 005 (CD) Sheherezade (Ansermet), DECCA 470253-2 (CD)
SACDs estéreo/multicanal:
So Real, DMP SACD-15 (SACD
Multicanal) Audiophile Reference IV, FIM SACD 829 (SACD) Live at the Pawnshop, Opus 3 19911 (SACD) Bob Mintzer Big Band, DMP SACD 12 (SACD) Live At The Pawnshop, OPUS3 CD 1991-1 (SACD) TELARC SACD Sampler 3, TelarcS ACD 63008 (SACD Multicanal)Diana Krall, VERVE B02293-36 (SACD Multicanal)

Equipamento associado:

Analógico: Rega P9, braço Rega 1000, cápsula van den Hul The Frog, Sumiko Blue Point Special, em suspensão 3 Hz, base dedicada, Rega Planar 25, (OriginLive), Pré de fono DACT 100.
Digital: dCS Puccini, dCS p8i, Sony XA9000ES ES, DVD Denon 2910,
media Center montado sobre gabinete Zalman 500, RME Fireface 800 Pré: McIntosh C200, Audible Illusions Mod 3a, Audiopax Model 5.
Amps: monoblocks Mc Intosh C-501, Mc Cormack DNA-1 de Luxe Ed, Audiopax Modek 88 Mk II
Caixas: Dynaudio Sapphire, Krell Resolution 3,
subwoofer REL Stadium II
Cabos: (interconexão) Purist Venustas balanceado, Black Rhodium Oratorio balanceado e
single, Nordost Red Dawn, WireWorld Eclipse e Polaris, Cardas G-Master Reference II L,van den Hul The Second; (caixas): Black Rhodium Ninja, Purist Audio Elementary Advance, Kimber 8TC, spades e bananas WBT Top  Line; (força): Transparent Audio Power Link MM, van den Hul Mainserver, Sunrise Mainslink e Illusion, Furutech Reference. Auxiliar: JVC EX-A1 e EX-A3

Víctor A. Mirol  DIRETOR REVISTA AUDIO&VIDEO  Brasil
v.mirol@uol.com.br
vmirol@clubedoaudio.com.br

 

 

 

 

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